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As incríveis ilustrações de Leandro Lassmar.

Ilustrador, Designer, Sanfoneiro e apaixonado por música, Lassmar conversou com a gente e falou um pouco sobre sua trajetória, inspirações, influências e claro muitos toques pra os aspirantes na área de ilustração, dono de um estilo bem forte e característico, o ilustrador usa e abusa das linhas e formas e composição junto a uma paleta de cor hipnotizante.
Esperamos que gostem! Abraço.

Para contato e mais dos seus trabalhos: https://www.behance.net/lassmar

 

1- Creativeskull: Olá Lassmar, primeiramente é um grande prazer estarmos fazendo essa entrevista com você e queríamos te agradecer por ter topado esse bate papo com a gente.
Queríamos saber como foi o início de tudo, você já queria trabalhar com Ilustração ou foi algo que aconteceu naturalmente? Sabemos que você é designer de formação, procede?

R: Então o prazer é todo meu, fico feliz de ver iniciativas assim, pode ser um norte para muitos que estão começando! Vou tentar responder de forma que faça sentido, até porque tem muita coisa que ainda estou absorvendo na profissão, posso deslisar em alguma resposta 🙂

Mas vamos lá! Com ilustração era algo que não acreditava ser possível, sou do interior de minas, então parecia muito distante pois não tinha acesso a ninguém que trabalhava com isso.
Desde moleque eu gostava de desenhar, o sonho era desenhar revistas da Marvel era fã de homem aranha e X-men, mas fui crescendo e precisando de trabalhar, comecei a trabalhar com o Érico (ele que me ensinou o caminho das coisas).
Fui vendo que precisava me preparar melhor, dai descobri a faculdade de design, foi lá que tive acesso ao que precisava e dai voltou a vontade de trabalhar com desenho. Tive bons professores que me indicaram os caminhos, inclusive um deles é quadrinista, o João Marcos ( faz as historias do Mendelévio e é roteirista do Mauricio de Souza), fiz muitos amigos que compartilharam suas experiências e me ajudaram muito. Dai fui batendo cabeça até entrar no meio.

2- Creativeskull: Como você insere suas influências e experiências no seu trabalho? Você tem um estilo bem característico e único e pelo que acompanhamos nos seus estudos tem elementos bem íntimos neles, acordeon, carros, bikes, tem ilustrações com rappers, como toda essa miscelânea te ajuda? 
R: Desde criança sou do tipo que termina de ver o filme do Rambo e amarra uma faixa vermelha na cabeça rs Então toda experiência me empolga muito, e acabo deixando passar isso pros meus trabalhos pessoais. Música me inspira pra caramba, eu vivo pesquisando, dai vai ter algo disso no trabalho pessoal. Eu deixo essas temáticas do meu dia irem naturalmente pro meu desenho, é o que vivo todo dia, dai acaba sendo natural, quando tento fazer algo que não é do meu universo, empaca, não sai.
Então, se eu to mexendo no carro(tenho um projeto de um carro antigo) vou desenhar umas coisas desse universo, os dias que estou me dedicando ao acordeon, vai sair vários tiozinhos sanfoneiros, to pesquisando sobre musica, vai sair algo disso, e por ai vai.
(Ilustração para a capa do disco Tetriz – Primeira fase)
3- Creativeskull: E quanto a outros artistas e designers, poderia nos citar alguns que são importantes pra você?
R: Cara, eu gosto de muita coisa, mas vai alguns : Marcelo Lelis, Gonzalo Carcamo, Carlos Nine,Adilson Farias, Sidney Meireles, Lou Romano, Leo Espinosa, Steve Simpson, Paul Rand, Saul Stainberg,Saul Bass ,Ziraldo,Alexandre Wollner, Mary Blair, Richie Pope, Akira Toriyama, Van Gogh, Monet, Picasso, Jose Luiz Agreda, Simone Massoni, Christoph Niemann, Keith Haring, Speto, 123Klan, Os Gemeos, Angeli, Frank Miller, Bill Sienkiewicz, Mike Mignola, Carter Goodrich,Sanjay Patel, Pintachan, Andrew Kolb, Davi Calil, Edu Medeiros, Jeferson Costa, Romolo D’hipólito, Ana Matsusaki, Suryara Bernardi , Leo Gibran,Alarcão, Samuel Casal, Mestre Vitalino, J.Borges, Candido Portinari e por ai vai.
4- Creativeskull: Há algo que as pessoas que estão iniciando tem muita dúvida é de como montar uma rotina bacana de estudos ou quais passos elas devem seguir pra conseguir produzir suas ilustrações, o que você poderia aconselhar a essa galera, o que foi e é importante pra você?
R: Eu sou formado em design, penso como designer, em resolver, fazer a informação serem passadas com eficiência, é nisso que eu foco, mas são vários caminhos, vai da pessoa. Cada ramificação tem um processo, é meio difícil falar uma formula, pois inclusive eu mesmo estou em continua busca por um caminho. Mas acho que tendo bem claro o que você quer, vai te dar o norte, dai você vai buscar aquilo, ver como os outros da sua área estão fazendo e analisando o que funciona pra você.
(Ilustrações para o livro : “101 coisas para fazer com as crianças antes que elas cresçam”
lançado pela Editora MOL)
5- Creativeskull: Pelo que acompanhamos no seu trabalho você passou um tempo fixo e depois passou a trabalhar como freela, pelo que percebemos está indo super bem, pois vemos seus trabalhos em capas de revistas e em várias publicações editoriais, como foi essa transição? nos conte um pouco das partes positivas e negativas.
R: Sim, trabalhei fixo por muito tempo, mas fui vendo que não tinha aquele ritmo, preferi trabalhar como freelancer. A transição no meu caso foi um tanto quanto natural, pois já pegava freelas mesmo trabalhando em estúdios. Galera costuma romantizar muito cara, ok que trabalhar com o que gosta é bom, porém é um trabalho, como todos os outros, você precisa fazer dinheiro, no final do mês contas precisam ser pagas. Os pontos positivos de ser freelancer pra mim é a liberdade de fazer meus horários (porém o trabalho tem de ser entregue no prazo, isso não muda rs) e poder levar uma vida um pouco mais saudável, porém você vira uma empresa, tem várias coisas que antes não eram da sua conta que agora são.
(Compilado de seus estudos de aquarela)
6- Creativeskull: Vemos que hoje existe ainda uma grande confusão sobre o mercado de ilustração, concept art, editorial, game etc, sabemos que cada mercado tem suas diretrizes e demandas, nos conte um pouco sobre o mercado que você atua.
R: Eu atuo mais no mercado editorial, foi o que abriu primeiro as portas  para mim. É uma das áreas que mais gosto de trabalhar, pois acho que conversa mais com minha formação, tenho sempre de resolver algo, tem de conversar com o leitor de forma clara, esse tipo de desafio me cativa, quero me aprofundar mais nisso, tem muita coisa pra aprender ainda.
Hoje em dia geral se queixa do mercado, pois realmente, conversando com outros profissionais mais antigos, não se paga um terço do que já se pagou. Tento me informar pra ver o que se pode fazer, mas isso é assunto pra outra conversa, pois tem vários pontos ai.
Uma área que tenho ouvido falar bem é games, queria participar de algum projeto um dia.
(Ilustrações para Especial Mundo Estranho –  Signos e Astrologia  – Julho 2017)
7- Creativeskull: Quais são seus planos para o futuro, você tem projetos engavetados e coisas que quer soltar futuramente, talvez áreas novas pra explorar, queríamos saber um pouco dessa parte.

R: Eu tenho algumas coisas que queria ter mais tempo pra tocar, tenho uma HQ que estou produzindo com um amigo (Felipe) que esta pausada, um livro infantil que minha esposa escreveu, um outro que eu estou arriscando a escrever, séries de desenhos sobre alguns temas e etc. Mas é complicado conciliar tempo, aos poucos vou organizando pra essas coisas acontecerem.

Sobre planos para o futuro, gostaria de trabalhar mais para o exterior, tem algumas revistas que gostaria de ter meu trabalho publicado.
8- Creativeskull: Voltando um pouco as influências, queríamos que você citasse alguns grandes influências independente da área de atuação, pode ser musical, visual, literária etc. Pessoas que Direta ou indiretamente te influenciam. 
R: Essa é difícil, porque gosto de uma pá de coisas de outros universos, tem o skate que me influencia desde moleque, então dai vai desde fotografia à artes visuais, tem a música que escuto quase de tudo, tem as HQs, Filmes etc etc.
Não consigo citar nomes, mas se for resumir, o skate foi responsável por eu abrir a cabeça para experimentar coisas novas, pois no meio das amizades, tem gente de tudo quanto é meio.
( Mandinga Trabalho pessoal) 
9- Creativeskull: Você tem um estilo bem marcante, com cores e formas e composições bem trabalhadas, conseguimos sentir bastante a geometria das coisas, texturas etc, dá pra contar a gente como é um pouco do processo criativo? onde surge tudo, no papel mesmo ou você já abre o software com a tablet e vai trabalhando?
Então, eu gosto de começar no papel, nem sempre dá, quando não é trabalho pessoal vou direto no computador, pois preciso ganhar tempo, rascunho na tablet e uso muito vetor e acabamento no Photoshop. Gosto muito de testar umas cores diferentes, ando estudando mais Círculo cromático, triângulo de Goethe, coisas que fazia de forma intuitiva estou tentando ter mais base. Eu estou fazendo um minibanco de texturas, usando material analógico e escanando, já fiz alguns trabalhos dessa forma, gostei do resultado. 
Eu desenho muito no papel, acho que me da mais base, consigo bolar a composição melhor nele, fico mais livre pra inventar quando estou desenhando fora do computador, porém nem sempre da pra fazer esse processo.
Como sempre desenho em cadernos, as vezes uso como pesquisa para algum trabalho, alguma forma que fiz ali, algum personagem, cenário que talvez  da pra ser aproveitado, o processo é meio confuso, mas na execução é computador e misturando coisas analógicas quando dá. 
10- Creativeskull: Tem alguma imagem que você fez e que mais goste, se tem poderia nos dizer porque?
Tem duas que mais gosto hoje, que é um Lampião e uma que fiz sobre uma musica do Jorge Ben que gosto “umbabarauma”
Acho que ali tem muito do que tenho buscado no meu trabalho pessoal, formas, cores, temas, não sei muito explicar, mas gosto delas.
Tanto que estou bolando uma serie aos poucos de coisas brazucas e esses trabalhos foram a base da estética deles.
Conheça mais o trabalho do Lassmar: https://www.behance.net/lassmar

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